No dia de hoje há 30 anos atrás, as cortinas se fecharam para Elis Regina. Sua morte em 1982 deixou uma lacuna na música popular brasileira, e criou um ícone que iria influenciar gerações com seu legado artístico. Elis ainda é considerada uma das melhores cantoras brasileiras de todos os tempos.
Elis estava no auge de sua carreira de 18 anos quando morreu. Ela tinha se firmado como uma das grandes (talvez a maior?) intérpretes da música brasileira da história. Seu talento era incontestável. Sua personalidade forte e presença de palco lhe renderam o apelido Pimentinha, mas de pequena, Elis só tinha a altura (1,53 m).
Elis começou a cantar com 11 anos e aos 15 já tinha seu gravado seu primeiro LP, “Viva a Brotolândia”. Ela começou na mesma época que Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Edu Lobo, Roberto Carlos, e cantou músicas de todos. Depois de famosa, ajudou a divulgar novos compositores e cantores, como Fagner, Ivan Lins, João Bosco e Milton Nascimento.
Magnetismo e carisma
Sua revelação para o grande público aconteceu em 1965, quando ela venceu o primeiro Festival de Música Brasileira realizado no país, defendendo “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes.
Ela se tornou uma marca nacional quando apresentou o programa musical de TV “O Fino da Bossa” com o cantor Jair Rodrigues nos anos 60. Era o nascimento da televisão e Elis foi um dos primeiros rostos que o brasileiro viu na tela.
Nem mesmo a ditadura conseguiu segurar Elis. Ela escapou por pouco de ser exilada devido à sua popularidade, mas era uma constante dor de cabeça ao governo militar. Ela não se intimidou, cantou músicas de protesto, e ligava para Caetano e Gil no exilio em Londres pedindo novas musicas.
Foi pioneira em várias esferas, incluindo feminismo. Elis representou uma geração de mulheres que estava saindo da cozinha e conquistando seu próprio espaço na sociedade. Ela foi um modelo mais por sua conduta do que por retórica – as atitudes que tomava em relação à sua carreira e relacionamentos não respondiam a nenhuma estrutura patriarcal, senão a ela mesma.
Elis gravou de tudo: bossa, samba, bolero, tropicália. Se enturmava com todos. Era amiga de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, e de Tim Maia e Rita Lee. Em 18 anos de carreira, Elis vendeu mais de 4 milhões de discos. Foram um milhão de cópias com “Dois na Bossa” – disco que gravou junto com Jair Rodrigues em 1969 – algo que nenhum artista brasileiro tinha alcançado antes. Internacionalmente, foi aclamada no festival de Montreaux em 1979 com uma apresentação com Hermeto Pascoal que levou o público ao delírio.
O bêbado e o equilibrista
Elis também teve seus baixos. As performances inebriadas, os ataques temperamentias, seus vários romances, casamentos e separações, o explosivo relacionamento com o produtor musical Ronaldo Bôscoli – infrações que tornam sua biografia ainda mais intrigante.
No dia 19 de janeiro de 1982, Elis foi encontrada morta, trancada no quarto de seu apartamento em São Paulo, vítima de uma overdose de álcool e cocaína. Ela tinha 36 anos. O país entrou em choque e Elis entrou para o hall de divas malditas como Janes Joplin e mais tarde Cassia Eller e Amy Winehouse.
Homenagens
Nesse ano em que a cantora completaria 67 anos de idade, uma série de eventos e lançamentos prometem manter viva a memória e a voz dessa incrível intérprete. Além de biografia reeditada, a cantora ganhará o relançamento de todos os seus discos entre 1965 a 1979, 24 CDs que trazem 21 álbuns originais, além de outros três com faixas avulsas e raridades.
Já os filhos de Elis, Maria Rita e João Marcelo Bôscoli, realizam ainda nesse semestre, a turnê “Viva Elis”, com shows com o repertório da mãe e uma exposição multimídia itinerante. É primeira vez que Maria Rita, a caçula de Elis, vai fazer um espetáculo baseado no repertório da mãe, a quem foi constantemente comparada no inicio de carreira.
Ouça o Brazil Vital do dia 22 de janeiro para ouvir o especial Elis Regina!
Seguem mais algumas imagens de sua vida e carreira.
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